Conforme dito abaixo, a parte número dois, um texto que eu acho que foi escrito até antes do que o da Exame, tem muita coisa em comum, mas também tem suas diferenças:
Blogosfera
Antes visto como potencial ameaça à imagem das organizações, o mundo dos blogs da internet já atrai muitas empresas, que vêem nele uma próspera ferramenta de comunicação corporativa
Reportagem de Françoise Terzian
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Contrariando as previsões mais pessimistas, o blog superou aquela fase infantil e se transformou em uma poderosa ferramenta para consumidores e corporações. O mesmo aconteceu com os sites de relacionamento, caso das comunidades virtuais Orkut e LinkedIn e de uma dezena de clones que se proliferaram no último semestre.
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Feito isso, é só começar a escrever textos - chamados de posts no mundo da blogosfera. “Eu mesmo criei um em poucos minutos, sem ter conhecimento algum de HTML (linguagem de marcação eletrônica empregada para montar páginas na internet)”, conta Celso Kassab, gerente sênior da área de Consultoria Empresarial da Deloitte, que colocou no ar uma página pessoal sobre corridas de longa distância. Carlos Eduardo Franco, consultor associado da TerraForum, consultoria especializada em tecnologia da informação e gestão do conhecimento, explica que tudo é feito através de uma interface simples e semelhante ao de um editor de textos.
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“Os blogs vieram para ficar e esse caminho não tem mais volta”, afirma Abel Reis, vice-presidente de tecnologia e projetos da Agência Click, produtora de sites e agência de propaganda especializada em internet.
Embora a facilidade para criar um blog seja um chamariz, o que mais tem atraído indivíduos de diferentes idades e formações é a possibilidade de se expressar e se fazer ouvir. É enorme a probabilidade de um consumidor insatisfeito expor seu aborrecimento em um blog pessoal e, com isso, estimular uma propaganda negativa contra uma empresa. Estando na internet, não há volta. Quando um conteúdo - texto, foto, som ou vídeo - é disponibilizado na web, imediatamente qualquer pessoa pode copiá-lo e repassá-lo adiante.
Entre perdas e ganhos, a verdade é que os blogs são um fenômeno de rápido crescimento no mundo todo. No final de 2004, o site internacional Technorati, uma referência mundial na área de blogs, informava existirem sete milhões de sites desse tipo no mundo. Hoje, são 24,5 milhões de blogs, sendo que, a cada dia, 70 mil novas páginas são criadas. Em termos de atualização, 29.100 blogs por hora ganham novos textos. Um estudo da organização norte-americana Pew Internet & American Life Project, que acompanha os impactos da internet na sociedade, estima que 11% dos internautas são leitores regulares de blogs.
Da ameaça à oportunidade
Independentemente da ferramenta - blog ou site de relacionamento -, a verdade é que as corporações também estão descobrindo o poder desses recursos. A maior prova disso é a rendição de várias empresas à blogosfera, caso de General Motors, IBM, Procter & Gamble, Sun Microsystems, SAP, Oracle, Intel e Microsoft. O poder do blog é tamanho que James Finn, vice-presidente de comunicação Corporativa da IBM, acredita que, em um futuro não muito distante, as versões corporativas serão tão importantes às empresas quanto o e-mail e os programas de mensagem instantânea são hoje.
Marcello Póvoa, sócio-diretor da consultoria MPP Solutions, ex-diretor do portal Globo.com e ex-diretor da IconMediaLab, que, durante sua gestão, foi eleita pela revista Advertising Age como uma das três melhores agências de mídia interativa do mundo, assegura não existir uma empresa nos EUA que não esteja usando internet, extranet e intranet como canais inerentes ao seu modo de operar.
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Os tempos mudaram e, com a chegada da era do blog S.A., as empresas devem se preparar para o novo cenário, que pode se converter em ameaça ou oportunidade, dependendo da forma como as empresas o encararem. “Os blogs estão crescendo e vão crescer ainda mais como ferramenta de comunicação”, afirma Kassab, da Deloitte. É por isso que as empresas devem começar a monitorar comentários a seu respeito em blogs alheios, mas não apenas isso.
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Um caso especial é o da General Motors, que criou no seu portal uma área chamada GM Blogs, voltada a estimular executivos de alto escalão a criar e atualizar blogs próprios. Hoje, é possível entrar no blog de Bob Lutz, vice-presidente de Desenvolvimento Global da GM, e ver suas opiniões quase que diárias sobre temas que vão desde as tendências em design até detalhes sobre novas motorizações.
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Embora Franco, da TerraForum, lembre que a quantidade de blogs corporativos ainda seja pouco expressiva frente ao montante de páginas desse tipo hoje dispostas na web, empresas como a IBM têm feito sua parte para popularizar a ferramenta entre seu público interno. Com 330 mil funcionários, a IBM já possui pouco mais de 3,1 mil blogs internos.
Essa questão ainda traz à tona dois modelos de páginas: externas e internas. No segundo caso, ela fica hospedada na intranet da empresa e o acesso é restrito ao ambiente corporativo, já que o conteúdo aborda dados confidenciais.
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A Procter & Gamble do Brasil, por exemplo, já andou experimentando o formato do blog para divulgar suas fraldas. Em “Mamãe Pampers“, uma mulher contou sua experiência como mãe de primeira viagem. A ferramenta, que foi desativada após um período de atualizações diárias, permitia o compartilhamento de experiências e também fazia sua propaganda.
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O sócio da MPP Solutions conta o caso de um cientista do laboratório nuclear de Los Alamos, que criou um blog para que funcionários pudessem expor preocupações e problemas com as instalações nucleares. Alguns membros do Congresso dos EUA viram e agora começam a apontar possíveis razões para justificar o fechamento do laboratório.
Para evitar problemas como esse, Franco, da TerraForum, sugere às corporações que tomem cuidado com a ética empresarial, a questão da descentralização da comunicação, a proteção aos conhecimentos estratégicos da empresa e até mesmo a satisfação dos funcionários em relação a políticas e procedimentos internos. A IBM, por sua vez, orienta seus funcionários a identificar no blog que a opinião é pessoal e não corporativa, assim como não divulgar informações confidenciais e nem citar nomes de clientes e parceiros sem prévia autorização. Kassab, da Deloitte, também recomenda precaução às empresas.
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De olho nos blogs
Páginas de executivos e empresas que já aderiram à nova onda na internet
Bob Lutz, vice-presidente de Desenvolvimento Global da General Motors
Ray Ozzie, líder de Tecnologia da Microsoft
Procter & Gamble (blog já desativado, mas vale a pena visitar para analisar texto e formato)
Endurance (blog pessoal sobre provas de atletismo de longa distância, criado por Celso Kassab, gerente sênior da área de Consultoria Empresarial da Deloitte)