Separados no berço


Barack Taison: o primeiro quer levar e o segundo já a leva estampada nos peito.


Barack Taison: o primeiro quer levar e o segundo já a leva estampada nos peito.
Foi só o tal do LHC dar o ar da graça que o asfalto da Freire Alemão na esquina com a Pedro Ivo começar a afundar. Dá uma olhada:

Acelera, particula! Clica cá pra ver o que é bom…
Para quem não sabe, o LHC é basicamente um experimento científico para ver o que acontece se provocarmos o fim do mundo criando buracos negros. A matéria a seguir explica e ilustra o funcionamento desta coisa:
Alô, DEP e DMAE: se eu fosse vocês, ficaria de olho aberto, porque esse monte de Professor Pardal tão é querendo aumentar o serviço de vocês.
É quarta-feira. Impossível viver até lá. Sábado comprei meu último ingresso para um jogo no Beira-Rio. Não foi tanto como diz a matéria em que apareci de revesgueio na foto da capa de Zero Hora, mas penei por umas 5 horas de fila. Foi divertido, mas não muito saudável. Até nem sei porque não me associei antes no Inter.
Impossível não voltar a falar no Colorado com uma campanha como essa que ele vem fazendo. Ontem o jogo tava tenso e me incomodava muito. Principalmente porque um senhor com uma cara toda cortada no meio e sem um pedaço da boca estava sentado ali bem perto na fila da frente. Começou o jogo e ele acendeu um charuto fedorento e aquela fumaça ficou incomodando todo o primeiro tempo tanto quanto a marcação paraguaia e todos os outros dilemas de um colorado que se preze e descrito pelo Rodrigo na sua carta de filiação à torcida do Inter.
Volta a segunda etapa e lá vai o velho de novo com o charuto. Nessas alturas eu já havia me ligado que a lasca na cara dele devia ser resultado de um câncer já bem andado. Eu se fosse o velho pelo menos dava uma maneirada até o fim da Libertadores, para ele não acelerar o encontro com o John Lennon antes disso. E o jogo já estava ficando esquisito. Os paraguaios faziam a bola rolar na frente do gol do Clemer e sei lá porque ninguém teve a eureka de meter para o gol.
Então vêm os gols. Colorados. Na comemoração, os 50 mil presentes pulam e a torcida atrás do gol, que dizem que imita a torcida do grêmio que dizem que imita as argentinas, ilumina o Beira-Rio com fogos que produzem uma fumaça branca que toma conta do campo e humilha a fumaça do charuto do velho. Foi-se o tempo do minhoquês: neste vídeo aí abaixo, capturado com o que existe na mais alta tecnologia de obtenção de imagens em movimentos, vai o momento em questão para dar uma noção. Para dar mais realidade, sugiro queimar uma bacia de folhas de eucalipto enquanto assiste o vídeo.
O homem praticamente ignora o colorado no texto sobre os semi-finalistas da Libertadores.
Surprising final four set to go for Libertadores glory
Ricardo Setyon, Sport Illustrated
One Mexican, a Paraguayan and two Brazilians ….
No, it’s not the start of a joke. Nor is it the list of Latin America’s ambassadors at the G-8 meeting. They do represent Latin America in a gathering, but Argentines have been excluded. Same with anyone from Chile or Uruguay, and definitely no Colombians, Venezuelans or Bolivians. Peru is out.
We’re talking about the biggest soccer event on earth nowadays, the semifinals of the Copa Libertadores. While soccer fans in Europe are still getting warmed up for their national leagues and continental cups, South America is glued to the screen and filling up stadiums to see the best soccer anywhere.
And to the surprise of many, two phenomena are happening before our eyes.
First, no Argentine clubs are remaining in the final four. It’s a rare occurrence and surprising, given that Argentina owns the most Libertadores titles.
Second, Mexico — obviously not part of South America — is more than a revelation. Mexican clubs are merely invited to participate in the tournament, but now they’re taking over at the expense of the traditional South American powerhouses.
Mexican clubs can’t really “win” the Cup. Sure, one can emerge victorious as the Copa Libertadores champions, but it can’t represent South America in any international event, such as the Club World Championship. This hasn’t happened yet, but the fact that they’re getting closer and closer is a looming problem for the South American confederation.
But first, let’s discuss what has happened in the past few months. In this year’s 45th edition of the Libertadores, the semifinals pit the defending champions, São Paulo, against Chivas of Mexico, while the surprising Libertad of Paraguay will face Brazil’s Internacional.
These are the last four standing from a field of 26 qualifying clubs augmented by six teams that reached the tournament through an elimination round. Traditional powers such as Colo Colo of Chile and Oriente Petrolero of Bolivia were out before the 32 teams got started.
The biggest surprise is Libertad, which really deserves to be here. Founded more than 100 years ago, it’s definitely one of the most veteran clubs in South America. But it’s only the Paraguayans’ sixth appearance in the Libertadores. And the team from the capital city of Asunción has now gone further than River Plate, Palmeiras, Vélez Sarsfield or even Mexico’s Tigres.
Now Libertad is seeking to go even further in its second-ever berth in the semis. Young head coach Gerardo “Tata” Martino has instilled in his team a fierce, fighting mentality. Star strikers Hernán López, Sergio “Pato” (”Duck”) Aquino and Roberto “Toto” Gamarra will look to shock heavily favored Internacional.
Tickets for Thursday night’s first-leg match in Asunción sold out in two-and-a-half hours. Libertad’s passionate fans are eager to see the fate of their “Gumas,” a nickname that derives from a comic-strip character named Giuseppe Gumarello — himself a passionate Libertad fan with whom the Italian immigrant communities of the Paraguayan capital could relate.
Now, with the space I have left, we turn to a very special club: São Paulo. The three-time Libertadores champions (and three-time club world champions) are the overall favorites to repeat. But unlike the power-packed title teams of the past, this group is a squad without major stars.
Well, except for one man: the guy between the poles, Rogério Ceni. He’s no ordinary goalkeeper. In fact, he’s close to becoming the all-time goal-scoring netminder. As a world champion with Brazil at the ‘02 World Cup, then again with São Paulo’s title run last season, Ceni has been perhaps one of the true remaining gentlemen of football.
It’s not often that a ‘keeper takes the prize as man of the match, especially in a game that features star players such as Steven Gerrard, Amoroso, Cicinho, Fernando Morientes and Harry Kewell. But Ceni topped them all in last winter’s Club World Championship, when his brilliant performance helped São Paulo upset Liverpool in Tokyo.
As São Paulo visits Guadalajara to take on Chivas in Wednesday’s night’s first leg, Ceni will have to be at his best again — his experience will be invaluable. São Paulo will also rely on its tough coach, former player Muricy Ramalho, a direct disciple of the late, great Telê Santana.
The key players against Chivas include Ricardo Oliveira — on loan from Spain’s Real Betis — alongside Alex Dias and young Thiago. On defense, veteran fullback Júnior — a reserve on the ‘02 Brazilian World Cup team — is still doing the job. But the world’s eyes are on brilliant Uruguayan defender Diego Lugano, who will almost surely move to Spain in the coming months. Other players to watch include Mineiro, a last-minute call-up to Brazil’s Cup squad, and Josué, the hardest worker of the team.
São Paulo and Chivas will meet again after matching up twice in this year’s group stage. The Guadalajarans beat the defending champs both times by the same 2-1 count. The time to settle things, as they say, is now.
Tá mais do que na hora do pessoal da Sociedade dos Observadores de Saci reconhecer o trabalho do atacante colorado Renteria em nome do folclore brasileiro com uma seção fixa no site só com as suas aparições-comemorações. Sem comentários esse último gol dele no meio da semana contra a LDU. Novamente ele tirou o cachimbo e a touca da cueca e saiu pulando numa perna só.
A minha homenagem ao colombiano faço divulgando esse vídeo. Alguém fez uma edição de gols ao som do Ruque-Raque. A dança do ruque-raque é a outra maneira do colombiano sair comemorando. Dá uma olhada:
Só para não passar batido o registro de que a primeira partida do Inter na Libertadores no Beira-Rio foi excelente em termos de futebol, bola no gol, canelada e marcação, queria falar da comunidade do colorado no Orkut. Tá sempre atualizada com notícias ou boatos do time. Um volume absurdo de mensagens e me cago rindo de alguns comentários.
A última que li falava já do anúncio da RBS TV de contratação do Figueroa como comentarista na transmissão dos jogos da TV. Logo um cara comentou que no primeiro “mazé bom esse time do 15, heinhô FIGUEROA?” que o Paulo Brito soltar o chileno não irá decepcionar sua torcida e apresentará o seu cotovelo para o narrador sentado ao seu lado.

Sim, são tempos de vacas magras. E talvez por isso que há quem acredite haver “dedo de Deus” no fato de um juiz de futebol não tomar nenhuma atitude plausível ao tomar bicadas de chuteiras de jogadores ou ao se deparar com um jogador em meio a uma grande confusão a cavar e cavar um buraco na marca do pênalti. Ok, o juiz pode ter pensado que o tal Lipatin era o único sensato de todos ali e seu ato era uma representação semiótica de um time desesperado que estava cavando sua própria sepultura. E aí não expulsou mais ninguém e viu-se o que hoje é descrito como a intervenção divina.
É que eu não sou um homem de fé. Até assisto uns pedaços das mensagens do missionário R.R Soares, mas só na curiosidade da coisa porque não é a minha praia. Quem sabe um dia eu aceite melhor isso. À la São Tomé. Porque se eu tivesse já vivo, vívido e lúcido no dia 14 de dezembro de trinta anos atrás poderia ter testemunhado algo extraordinário que só me é acessível pelas enciclopédias e imagens de arquivos.

Eu me refiro aqui ao Gol Iluminado. Aquele do Figueroa, o chileno-xerife-zagueiro, de cabeça que deu a vitória do Inter sobre o Cruzeiro de Nelinho, Piazza e Palhinha. Um pouco mais de trinta e cinco minutos depois, o colorado começava a mostrar que se adonaria do futebol brasileiro naquela década. Tal qual o capitão Dom Elias Figueroa fazia na sua casa, a grande área, em que só entrava e era bem-vindo quem era convidado. O mesmo Figueroa que ainda criança sofreu de poliomielite e foi desenganado pelos médicos. Mas esse é só um pedaço da história.
O Inter começou a montar o time de verdade um ano antes. O título de 74 chegou perto, mas ainda não era a hora. Veio 1975 com um campeonato de 42 clubes com vitória valendo dois pontos e, caso um time fizesse dois ou mais gols numa partida, ainda levava um ponto a mais de bonificação. Primeira fase com dois grupos com onze e mais dois grupos com dez equipes. Segunda fase com quatro grupos, duas chaves com cinco times e outras duas com seis equipes. Doze passaram para a terceira fase e ainda tiveram a companhia de mais quatro clubes eliminados que vieram de uma repescagem. Dali saíram Inter, Fluminense, Santa Cruz e Cruzeiro para a semi-final disputada em jogo único na casa do time com melhor campanha. Na final também foi assim.
E foram apenas três derrotas do Inter em todo o campeonato. O time era fenomenal, tinha força, raça, técnica, inteligência tática, jogava em conjunto e o ataque era mortal. Mas o descrédito da imprensa e a falta de confiança da torcida sempre existiram. Pelo menos até a semi-final. A vitória sobre o Fluminense de Rivelino, Carlos Alberto Pintinho e Paulo César Caju em pleno Maracanã. O técnico do time carioca, Zezé Moreira, teve a idéia de sair falando para repórteres seus planos já para a final. Ao que o treinador colorado Rubens Minelli separou uma cópia da matéria que foi posta embaixo do prato de cada jogador do Inter no almoço de antes do jogo com a “Máquina Tricolor”. O resultado foi 2 x 0 para o Inter e podia ser mais, com direito a golaço de Paulo César, o meio-campista que anos depois ficaria mais conhecido no Rio como Carpegianni. Depois disso foi aeroporto lotado e 80 mil ingressos vendidos rapidamente para a grande final.
Com o Beira-Rio lotado naquela tarde nublada de 14 de dezembro de 1975 em Porto Alegre é que acontece o fantástico. Valdomiro sofreu uma falta ao lado da área a 11 minutos do segundo tempo. Piazza diz até hoje que não cometeu. O próprio Valdomiro ajeitou a bola para a cobrança cruzada na área. Havia um código: se o cobrador ajeitasse a meia, a bola iria para a segunda trave, se passasse a mão na cabeleira, iria no primeiro poste. Valdomiro ajeitou os cabelos.

Figueroa veio lá de trás, pulou mais alto que quatro adversários, encontrou a bola no primeiro poste numa única penumbra de raio de sol iluminava a pequena área e entrou de testa. O goleiro do Cruzeiro, Raul Plasmann, não pôde evitar o “gol iluminado”. Um facho de luz único naquele setor do gramado, provindo dos entre-meios das arquibancadas e de um sol poente, que iluminou o xerife colorado como a luz que destaca um artista célebre no palco.
Manga, Valdir, Figueroa, Vacaria, Cláudio, Hermínio, Pontes, Chico Fraga, Bereta, Caçapava, Escurinho, Falcão, Carpegiani, Borjão, Tadeu, Tião, Batista, Luis Fernando, Valdomiro, Jair Furacão, Lino, Flávio e Lula. Inter campeão brasileiro de 1975.

Devotos de São Tomé podem ver o Gol Iluminado, narrado por Celestino Valenzuela.
Enquanto a novela colorada parece criar desdobramentos cada vez mais insanos, o orgulho está em ter registrado numa máquina digital de bolso quando outros bravos rubros cantavam contra as estopas. É que agora a coisa foi longe e chegou até Leningrado. Dá-lhe Menezes.
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