If there’s a letter in your bag for me
Enquanto aguardo as cartas que o carteiro não me traz, espero. Sentado. Na frente do computador. Enquanto trabalho.
Mas estava lendo as minhas correspondências eletrônicas quando leio a seguinte mensagem de um desconhecido:
Paulo Braga to me
show details 12:07 PM (6 hours ago)
É verdade ou não que ninguém da sua cidade é negro, mulato, índio, descendente de índios, descendente de portugueses ou descendente de orientais e nenhum deles tem sobrenomes “brasileiros”, como Alencar, Arruda, Barreto, Braga, Cavalcante, Coelho, Dantas, Diniz, Espíndola, Espinosa, França, Freire, Góes, Guedes, Holanda, Honorato, Império, Jordão, Junqueira, Lacerda, Lins, Linhares, Mendonça, Mesquita, Neves, Nobre, Oliveira, Ortiz, Peixoto, Pinto, Quadros, Queiroz, Ramalho, Ruiz, Sampaio, Santana, Telles, Toledo, Uchôa, Veiga, Vidal, Xavier, etc., uma vez que todos os gaúchos são descendentes ou de alemães ou de italianos ou de suíços ou de austríacos ou de eslavos e se auto-intitulam os europeus brasileiros, junto com os paranaenses e os catarinenses?
Paulo R. Braga, São Bernardo Do Campo/SP
E aí, é verdade ou não? Responda para paulo_braga3@hotmail.com.
E num intervalo de horas, eis que chega uma penca de cartas para o meu escritório. Sintomas da greve dos carteiros. Para mim, só uma carta.
Dois selos comemorativos dos 100 anos do Grêmio. Remetente lá de Maratá. De nome não o identifico. Mas me vem na cabeça o djingle ao som de bandeenha “Olê, olê, olê, olá! Oktoberfest! Em Maratá!” que passava nos intervalos de TV de outubros de vários anos atrás. A carta:
Eu Wellington de (Um Certo Sobrenome) e a minha professora Cristine e a Liane do Turismo e a tia Carine que é a minha merendera fomos a masega. Conhecemos. A igreja a casa do meu amigo Mateus a cachorrinha do Mateus é a maior fofura depois nós fomos a outra casa do meu outro amigo Ismael a mãe dele fez rizolis bolo comemos a merenda da escola ocupacional e diz litroés de Peps conhecemos a casa dele e depois fomos imbora tihau um abraço.
Maraviha né? Junto veio um folder turístico de Maratá e uma carta timbrada da prefeitura de lá. E nela o seguinte:
Prezado(a) leitor(a),
Você está recebendo a carta de um aluno da Escola Ocupacional de Maratá, município de Maratá - RS. Os 24 alunos, de 1a à 4a séries do Ensino Fundamental, atendidos no contratumo escolar, estão envolvidos com o Projeto “Conhecendo e Divulgando Maratá”.
O Projeto elaborado pelas secretarias municipais de Turismo e de Educação tem por objetivo proporcionar ao aluno a oportunidade de conhecer o seu municipio fora da sala de aula. A turma está realizando passeios aos pontos turísticos, acompanhados da professora Cristine Pittelkow e da guia de turismo Liani Büttenbender, para conhecer as peculiaridades do município, identificando seus traços sociais, econômicos, culturais e ambientais.
Após o passeio, os alunos são estimulados a elaborar uma carta escrevendo ou desenhando sobre a visita e convidando alguém para conhecer o município. As cartas são enviadas para pessoas desconhecidas, sendo que são usados endereços de guias telefônicos, com o intuito de despertá-las para conhecer a nossa cidade.
Destacamos que os textos foram escritos pelas crianças ainda em fase de alfabetização e podem eventualmente conter erros de escrita. Gostaríamos de contar com sua compreensão neste sentido, pois preferimos enviar os textos originais.
Se você e sua família se interessarem em conhecer a cidade de Maratá, entre no site www. maratars. com. br, ou entre em contato com a Secretaria Municipal de Turismo pelos fones (51) 3614-4141 ou 9699-7175. Ficaremos muito felizes em recebê-los e proporcionar o encontro com o aluno que lhe enviou esta carta. Você poderá também entrar em contato com o aluno que escreveu esta carta e sua professora enviando uma carta pelo Correio ou enviando e-mail para ocupacional @ maratars . com . br.Katherine Lemer Bilhar Kollihg
Secretária de Turismo de Maratá - RSSírio José Nonnemacher
Secretário de Educação de Maratá - RS
Não sei se um dia irei a Maratá, mas sei lá, vou escrever pro guri. Uma vez minha turma de colégio escreveu para a Nasa e meses depois veio uma carta cheia de folders com fotos de espaçonaves. Tenho que ver o que posso mandar pro guri.









