Separados no berço


Barack Taison: o primeiro quer levar e o segundo já a leva estampada nos peito.


Barack Taison: o primeiro quer levar e o segundo já a leva estampada nos peito.
Foi só o tal do LHC dar o ar da graça que o asfalto da Freire Alemão na esquina com a Pedro Ivo começar a afundar. Dá uma olhada:

Acelera, particula! Clica cá pra ver o que é bom…
Para quem não sabe, o LHC é basicamente um experimento científico para ver o que acontece se provocarmos o fim do mundo criando buracos negros. A matéria a seguir explica e ilustra o funcionamento desta coisa:
Alô, DEP e DMAE: se eu fosse vocês, ficaria de olho aberto, porque esse monte de Professor Pardal tão é querendo aumentar o serviço de vocês.
Já falamos (no plural para entrar na onda das eleições) aqui do puxão de orelha que o colunista de Economia Danilo Ucha deu (ou escreveu) no seu Jornal da Noite, pedindo o favor, de não telefonar perguntando se chegou o e-mail.
Pois agora é o colunista Nilton Romanowski, do Jornal do Estado (PR), que perde a paciência com a turma dos assessores em manda esse recado:
Assessorias de imprensa: propósitos equivocados
As assessorias de imprensa andam em franca proliferação o que poderia ser muito bom não fosse o joio que está chegando junto com o trigo. O “joio”, no caso, está configurado nas atitudes marginais dos indefectíveis “picaretas”, presentes também na área da informação. Penso que o “glamour” exagerado que acompanha a atividade da imprensa tem permitido que despreparados e mal intencionados “chateiem” redações e equipes profissionais, saturando as caixas postais eletrônicas dos jornais e outros órgãos com notícias e notas puramente comerciais, sem interesse jornalístico. Essa moda está tão difundida que existem casos onde se tenta conseguir espaço gratuito na média valendo-se das “assessorias” canhotas. Para se ter uma idéia, à caixa postal desta coluna aportam desde notas sobre assuntos particulares até relações de preços de esquifes, informações sobre peças íntimas, supermercados, aniversário de empresários e outras que caberiam melhor como anúncios, nas colunas sociais ou nos obituários. O primitivismo de certas notas chega ao cúmulo de produzir “coisas” do tipo: “Seje seu próprio patrão…”, um release que mantenho em meu arquivo, para provar o que digo. O pior é que essa “invasão” acontece sob o patrocínio de empresários que, ingênua ou espertamente, acham que devem seguir a “moda” de ter uma assessoria de imprensa, sem saber se isso pode ser-lhe útil ou não. Nota para imprensa sem valor jornalístico é inoportuna e ineficaz. Não traz resultado positivo. Seria mais razoável que essas “assessorias” se transformassem em agências de propaganda, pagando pelos anúncios. Entremeio a isso vale destacar o exemplo das boas assessorias, com conhecimento profissional, atuando com bom senso e ética. Essas, sempre serão bem vindas.

Já pensou se esse cara aí fosse editor ou colunista de jornal?
Jornalistas do Planeta Terra, preparem-se. Segundo informa o Pérolas das Assessorias, o chicote hi-tec dos assessores, está caíndo de maduro a oportunidade de assessores malas se especializarem. Os vídeo-releases comuns para divulgação de discos e carros estão loucos para serem utilizados para qualquer tipo de divulgação e nos formatos mais ridículos, como é esse caso aqui.

Só sei que o veto do Lulla ao projeto dos jornalistas de dominar o mundo é apenas mais um capítulo de uma discussão mais velha que a Dercy. Os RPs estão a comemorar o fato de terem conseguido barrar o projeto que traria incomodação ao profissionais dessa área que atuam como assessores de imprensa, mas alto lá: pelo que vi, li e ouvi, a mobilização dos RPs não foi nada perto da pressão dos jornalões e das emissoras que lutam contra o povo-unido-jamais-será-vencido.
Logo um novo projeto nascerá, sem novos cutuques à grandes veículos daí sim os representantes de jornalistas pedirão a exclusividade em atuar como assessores de imprensa. Por aqui até que a coisa é mais traqüila, mas lá por São Paulo o Conselho Regional de Relações Públicas insiste em multar os assessores jornalistas. Mesmo que isto seja amparado legalmente, judiar do bolso dos jornalistas do lado de cá do balcão é provocação típica para arranjar sarna.
Assessores…
(direto do Coletiva.net)Para a assessoria da Renner, nova loja é em ‘Cachoeirinha do Sul’
“Lojas Renner – uma das maiores redes de lojas de departamentos do país – já se prepara para o processo de seleção dos 54 colaboradores de sua primeira loja em Cachoeirinha do Sul – e 13ª no Estado do Rio Grande do Sul –, a do Shopping do Valle, que está prevista para ser inaugurada no mês de abril deste ano. O recrutamento dos candidatos será realizado entre 23 e 25 de janeiro”. É assim, repleta de travessões e com a citação de uma cidade inexistente, que a assessoria de imprensa Dança da Chuva Comunicação, de São Paulo, informa sobre a abertura da nova loja da Renner. Uniu a cidade de Cachoeirinha, na Grande Porto Alegre, com Cachoeira do Sul, na região central do Estado, numa confusão que só não foi maior porque citava a localização do empreendimento: no Shopping do Vale (e não do ‘Valle’…).
Ah, aqui está o release na íntegra.
Aproveitando a carona do post anterior, vou anexar mais uma folha ao clipping para os assessores. Íntegra do Elio Gaspari de Natal no Correio do Povo (deve ter saído em algum outro jornal do Brasil. Mas é que gaúcho é melhor em tudo):
Um novo estilo: o minto-logo-desminto
Diante do palavrório das cartas enviadas aos jornais por espertalhões, assessores e consultores de comunicação, aproveita-se o espírito natalino para dar voz a cinco expoentes do estilo minto-logo-desminto. Nada a ver com as cartas de leitores que expressam autenticamente seus pontos de vista.
Como boa parte dos textos com desmentidos de mitômanos publicadas pelos jornais, nenhuma das cinco é inteiramente falsa. Nem verdadeira.
Correspondente faccioso
Berlim, 1º de setembro de 1939
Senhor diretor da Columbia
Broadcasting System,Na sua transmissão radiofônica de hoje, o repórter William Shirer afirmou que ‘a Alemanha invadiu a Polônia’. Cometeu três erros que julgamos oportuno retificar:
1) A Alemanha apenas revidou a uma agressão covarde. Na noite de 31 de agosto, tropas polonesas atacaram nossos soldados em 21 localidades da fronteira. Na cidade de Gleiswitz, os invasores tomaram a emissora de rádio e conclamaram o povo da Silésia a rebelar-se. Doze soldados do Reich perderam suas vidas defendendo a pátria e um alemão que colaborava com os invasores morreu nos combates. Recapturada, a sede da emissora foi visitada pela imprensa.
2) O chanceler Adolf Hitler denunciou essa covardia na tarde de ontem.
3) Vivendo em Berlim, o sr. Shirer tem acesso às notícias de nosso país. Portanto, sabe que famílias alemãs estão fugindo da Polônia depois que suas fazendas foram incendiadas.
4) Se o repórter seguisse as normas da CBS, teria ao menos procurado ouvir nossa versão de tão grave violação do direito internacional.
Para tanto, continuamos à disposição de sua prestigiosa emissora.
Ernst Hanfstaengl, secretário de Imprensa do Ministério das Relações Exteriores.
Falta de ética
Washington, 8 de maio de 1945
Senhor diretor da Associated Press,Ontem, o repórter Ed Kennedy e a AP violaram uma das mais elementares regras da ética jornalística.
Às 2h41min da madrugada, o general alemão Gustav Jodl, rendeu-se incondicionalmente ao general Walter Bedell Smith, chefe do Estado Maior aliado na Europa. A cerimônia ocorreu no quartel general de Reims, na França. Dezessete repórteres e quatro fotógrafos credenciados assistiram à cena da capitulação.
A caminho de Reims, informei a todos os jornalistas que a assinatura da paz era matéria ‘ultra-secreta’ e deveria ser mantida sob sigilo, até posterior liberação. O comandante aliado, general Eisenhower, ordenou que o fato só fosse divulgado quando as tropas alemãs da frente Leste se rendessem ao marechal soviético Zukov. Foi uma exigência do generalíssimo Stalin, aceita pelo Alto Comando Aliado.
Desrespeitando o embargo, Ed Kennedy telefonou para Londres informando que a guerra terminara. A Associated Press associou-se ao lastimável gesto de seu correspondente e divulgou mundialmente a notícia. O Alto Comando Aliado não divulgou esse fato e, portanto, ‘não estão autorizadas quaisquer reportagens a esse respeito’. Consideramos irrelevante o fato de o ministro das relações Exteriores da Alemanha ter comunicado a rendição ao seu povo duas horas antes.
Diante dessa atitude inaceitável, informamos que estão suspensas todas as credenciais de repórteres e fotógrafos da AP junto às tropas aliadas. A de Ed Kennedy está cancelada.
Atenciosamente,
General Frank Allen
Chefe da Divisãode Relações Públicas do
Alto Comando AliadoNão se tortura no Brasil
Washington, 5 de março de 1970
Senhor diretor do Washington Post,Seu editorial intitulado ‘Opressão no Brasil’ está abaixo dos padrões jornalísticos e éticos de um jornal influente como o Washington Post. Respeita-se o direito de crítica, mas foi chocante ler um insultuoso ataque pessoal ao presidente do Brasil. Seu texto compromete as nossas boas relações com os Estados Unidos.
Lastimo que seu jornal volte a fazer acusações que já foram respondidas pelo governo na sua condenação de quaisquer violações de direitos humanos no tratamento de presos políticos brasileiros. Todo o mundo viu os 15 prisioneiros libertados em troca do embaixador americano Charles Elbrick. Estavam em perfeitas condições físicas e mentais. Ali os senhores têm a prova concreta e inegável do tratamento correto que recebem os presos acusados de atos terroristas.
É de se esperar que não seja necessário voltar a escrever ao Washington Post, do qual esperamos o equilíbrio e o alto nível de linguagem que fizeram sua reputação.
Embaixada do BrasilPressa irresponsável
Dallas, 15 de janeiro de 1964
Senhor diretor da TV KRLD,Solicito que sua emissora se abstenha de identificar meu falecido cliente Lee Harvey Oswald como assassino do presidente John Kennedy.
Ele morreu dizendo-se inocente e nunca foi condenado pela Justiça.
A imprensa precisa limitar a sua capacidade de propagar notícias colhidas ao acaso. Lembro-lhe do lastimável desempenho de seu departamento de jornalismo no início da tarde de 23 de outubro passado. Poucos minutos antes das 13h, o repórter Eddie Barker, da KRLD, anunciou que o presidente John Kennedy estava morto. Ele recebeu essa informação de um médico que não estivera no hospital para onde haviam levado o presidente. Além disso, não o identificou.
Irresponsavelmente, transmitiu uma informação que não checou. O repórter Dan Rather, da CBS, obtivera essa mesma informação em duas fontes diferentes e não a levou ao ar. A notícia foi prontamente desmentida por Walter Cronkite, um ícone do nosso jornalismo.
Atenciosamente,
Katz, Gutierrez & Miranda AssociadosEditorialistas levianos
Moscou, 30 de setembro de 1936
Senhor diretor do New York Times,Na qualidade de chefe do Ministério Público soviético, quero expor o meu assombro diante do editorial que qualificou de ‘medieval’ a execução de Gregory Zinoviev e Lev Kamenev. O editorial diz que eles foram fuzilados tendo sido condenados a dez anos de prisão. Essa afirmação é falsa. Os dois foram executados no cumprimento de uma sentença exarada em março deste ano, referente a outro processo no qual, como no primeiro, tiveram direito amplo e público de defesa.
Esses dois cachorros doidos do capitalismo, ex-dirigentes do Partido, conspiraram contra a pátria socialista e planejaram atos terroristas contra o camarada Stalin.
Vossos editorialistas desrespeitam os leitores quando emitem opiniões sem o amparo dos fatos. Isso não é jornalismo. Leiam o que escreveu Walter Duranty, correspondente do New York Times em Moscou, agraciado com o Prêmio Pulitzer: ‘É inconcebível que as autoridades levassem esses homens a um julgamento público sem que tivessem provas de sua culpa’.
Se os editorialistas lessem o que publica o jornal onde trabalham, a verdade só teria a ganhar.
Andrei Vishinsky
Procurador-geral da União Soviética
Essa é em homenagem à profissão. Para chegar ao ponto de usar um baita espaço de uma publicação mensal é porque a coisa tava séria. Mas é um problema da atividade mesmo. No meu caso, se hoje eu tenho uma certa malandragem do negócio um pouco é porque dei algumas cabeçadas lá no início. Ruim mesmo é que tem gente que não acha isso errado e segue fazendo:
Por favor, não telefone para a redação perguntando se chegou a mensagem e-mail
Com o aumento da oferta de jornalistas ao mercado – é cada vez maior o número de faculdades de Comunicação – e a diminuição do número de oportunidades de emprego, crescem as chamadas “assessorias de comunicação”. Cresce, também, a incompetência, tanto na redação e apresentação das notícias que as assessorias querem divulgar para seus clientes, quanto no relacionamento com os jornalistas. A deficiência é tão grande que, em São Paulo , já existem cursos para “assessores de imprensa”. As faculdades não preparam especificamente para trabalhar nas assessorias, embora, hoje, este seja o maior mercado.
A coisa mais odiada nas Redações é atender telefonema de assessor de imprensa informando que mandou “notícia” ou perguntando se recebeu a mensagem enviada por e-mail. Já há colunista que adotou por norma não divulgar a informação cujo autor telefona perguntando se ele recebeu a “notícia”.
Uma das práticas é convidar jornalistas para viajar a determinadas cidades e participar de entrevistas ou visitar as instalações da empresa. Algumas assessorias de imprensa são tão despreparadas que não indicam com a antecedência necessária como e quando será feita a viagem, quais os horários e locais a serem visitados, se haverá transporte local, refeições ou estadia. Além, é claro, daquelas que montam verdadeiros “programas de índio”, como ir a São Paulo e Rio, de manhã, almoçar e voltar. Assim, por mais boa vontade de colaborar que tenha o repórter, é impossível atender tal tipo de convite.
Tem assessor tão cara de pau que manda nota dizendo que é exclusiva para aquele colunista e, no entanto, ela está endereçada para outro colunista. Como ele se atrapalhou na hora de mandar o e-mail, mandou a nota para um endereçada para o outro. Fernando Albrecht (JC) já recebeu nota endereçada para Lurdete Ertel (ZH) e Danilo Ucha (JC) já recebeu nota com o nome da Denise Nunes (CP).
Para elaborar esta nota, falamos com destacados colunistas de Porto Alegre, os quais preferiram não se identificar para evitar constrangimentos. Um da área cultural, outro do setor de variedades, um terceiro da editoria de economia e um colunista de faits divers . Os quatro foram unânimes no recado às assessorias de imprensa: “Por favor, não telefonem perguntando se chegou o e-mail !”
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